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sábado, 27 de outubro de 2007

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Viagem de Vasco da Gama (1498): rotas

Viagem de Vasco da Gama à Índia.
Rota da Ida e do Regresso

Recepção dos Portugueses em Calecute

"Ao tempo que Vasco da Gama chegou a esta cidade de Calecut [...] mandou a terra o piloto mouro e um degradado, participando a El-Rei a sua chegada e [...] pedindo-lhe que lhe mandasse dizer quando o podia receber [...]Havida esta licença [...] entraram todos numa grande casa térrea, em que estava aquele grande Samorim da província de Malabar.[...] o qual estava em uma sala grande. O chão desta sala era todo coberto de veludo verde e as paredes armadas de panos de seda e ouro de cores. El-Rei estava num leito coberto de um pano de seda branca e ouro, bem lavrado. Era homem de meia idade, baço, alto de corpo e de bom parecer e vestido com um pano lustroso de algodão com rosas de ouro na cabeça, uma carapuça de brocado alta cheia de pérolas e pedrarias. Tinha penduradas nas orelhas arrecadas e nos dedos dos pés e mãos muitos anéis [...] tudo de pérolas e pedraria de muito valor. Vasco da Gama nestas palavras resumiu o que lhe era mandado: "Que era a causa principal que movera El-Rei seu senhor a enviá-lo àquelas partes orientais [...] fora ser muito celebrada a fama da sua real pessoa e da grandeza do seu senhorio [...] e estarem em seu poder a maior parte das especiarias que, por mão dos mouros se navegavam para todas as partes da cristandade, e por que ele tinha descoberto novo caminho para entre eles haver amizade e comércio."Os Mouros que estavam naquela cidade de Calecut por razão do comércio das especiarias, do qual negócio eram senhores, quando viram que a embaixada de Vasco da Gama era a fim do comércio destas especiarias ficaram muito tristes"

João de Barros; "Décadas da Ásia"

Chegada dos Portugueses à Índia

"No domingo (20 de Maio de 1498) fomos na direcção de umas montanhas que estão sobre a cidade de Calecute e o piloto (muçulmano) que levávamos as conheceu e nos disse que aquela era a terra onde nós desejávamos ir.
E ao outro dia, o capitão-mor mandou um dos seus homens a Calecute, o qual foi ter onde estavam dois mouros de Tunes, que sabiam falar castelhano e genovês. E o primeiro cumprimento que lhe deram foi este:
_ O diabo que te carregue; quem te trouxe cá?
E perguntaram-lhe o que vínhamos buscar tão longe. E ele respondeu:
_ vimos buscar cristãos e especiarias (...)
Então (...) deram-lhe de comer pão de trigo com mel. E depois de comer veio para os navios e trouxe com ele um daqueles mouros, o qual, logo que chegou aos navios, começou por dizer estas palavras:
_ (...) Muitos rubis, muitas esmeraldas. Muitas graças deveis dar a Deus, por vos trazer a terra onde há tanta riqueza.
Álvaro Velho, "Roteiro da 1.ª viagem de Vasco da Gama", 1498.

Partida da armada de Vasco da Gama (1497)

"Pelo grande desejo que El-rei D. João II sempre teve do descobrimento da Índia, no que muito tinha feito e descoberto até além do Cabo da Boa Esperança, tinha pronta a armada para descobri-la e por capitão-mor dela Vasco da Gama, fidalgo de sua casa, e por falecimento de El-Rei a dita armada não partiu.E El-Rei D. Manuel, logo que reinou, mandou partir a dita armada, assim como estava preparada, pela mesma ordenança, e os mesmos regimentos que estavam feitos, e por capitão o mesmo Vasco da Gama [...] que com a ajuda de Deus e seu esforço como valente cavaleiro, com grandes perigos e trabalhos a descobriu."

Garcia de Resende, "Crónica de D. João II"