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sábado, 13 de outubro de 2007

Os primeiros contactos com os Africanos

Os nossos navios, vendo-se assaltados por aquela multidão de negros, descarregaram quatro bombardas da primeira vez. Ao ouvi-las, os Negros, aterrados pelo grande estrondo, deixaram cair os arcos e olhando uns para um lado outros para outro estavam admirados de ver as pedras disparadas pelas bombardas cortarem a água junto de si. […] Tentámos depois contactar aqueles Negros e […] então lhe perguntámos por que causa nos ofendiam, sendo nós gente pacífica e vindo tratar de mercadorias. E dissemos-lhes que tínhamos boa paz com os Negros do Senegal e que assim igualmente queríamos ter com eles; que éramos vindos de países distantes para trazer alguns presentes de valor ao seu rei e Senhor por parte do rei de Portugal, o qual desejava ter amizade e boa paz com ele; e que lhes rogávamos viessem a nós pacificamente tomar das nossas mercadorias, dando-nos das suas quanto quisessem […]. A sua resposta foi que, pelo passado, tinham alguma notícia de nós e do nosso modo de tratar com os Negros do Senegal; os quais Negros não podiam deixar de ser maus homens em querer a nossa amizade, porque eles tinham por certo que nós Cristãos comíamos carne humana e que não comprávamos os Negros senão para os comer; por isto não queriam a nossa amizade por nenhum modo.

Cadamosto, Navegações

Comércio na Costa Ocidental Africana

O senhor infante D. Henrique tinha sempre de todos os cativos que traziam uma quarta parte (…). Depois disto, no seu conselho, o Senhor Infante dizia que para o futuro não brigassem com aquela gente naquelas regiões, mas que travassem alianças, e tratassem do comércio, e com eles assentassem pazes porque a sua intenção era fazê-los cristãos (...).
Algum tempo depois o Senhor Infante armou uma caravela de Lagos, (…) e fez Diogo Gomes, capitão dela. (…) E passámos o rio de S. Domingos (…) e vieram os mouros de terra nas suas embarcações e trouxeram-nos as suas mercadorias, a saber: (…) panos de seda ou algodão, dentes de elefante e uma quarta de malagueta em grão, e nas suas cascas, tal como cresce, com o que muito me alegrei (…).
E vimos a grande foz de um rio (...) e pela grandeza logo pensámos que aquele rio era o Gâmbia, e assim era (...). No outro dia (...) vimos gentes (…) e chegámos até próximo e fizemos paz com eles (…). E aí recebi deles 180 arratéis de ouro, em troca das nossas mercadorias, a saber: pano, manilhas(1) de cobre, etc.

Diogo Gomes, Relação do Descobrimento da Guiné
(1) Argolas, pulseiras