Erasmo, humanista holandês do século XVI, é defensor de uma reforma da Igreja e da sociedade baseada na mensagem cristã. A sua obra mais importante, o Elogio da Loucura, de linha reformista, é uma crítica da sociedade da época, incluindo a Igreja. A sua vocação pedagógica está patente na sua epistolografia, composta por mais de 300 cartas. Homem culto e cosmopolita, mantém correspondência com os principais génios da sua época.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
Erasmo critica a sociedade
LV - (...) Há já algum tempo que desejava falar-vos dos reis e dos príncipes (...). Imaginai agora um desses príncipes, tal como frequentemente se vêem. Ignora as leis, é hostil ao bem comum e apenas se ocupa com os seus interesses; entrega-se aos prazeres, odeia o saber, a independência e a verdade, troça do interesse público e possui como única lei a cobiça e o egoísmo. (...)
LVI - Que direi agora dos cortesãos? Nada há de mais vil, servil e idiota, do que a maioria dessa gente que, apesar disso, pretendem em toda a parte o primeiro lugar. Há apenas um ponto em que são muito modestos. Contentam-se em usar o ouro, as pedrarias, a púrpura e os diversos distintivos da sabedoria e da virtude, mas deixam que sejam os outros a praticá-las. (...) Acotovelam-se para mais se aproximarem do rei, ambicionando apenas um colar mais pesado, que mostre ao mesmo tempo a sua força e a sua opulência.
LVII - Rivais dignos dos príncipes, os soberanos pontífices, os cardeais e os bispos chegam mesmo a ultrapassá-los. (...) Hoje em dia (...), apenas se preocupam em apascentar-se a si próprios, deixam o cuidado do rebanho a Cristo e aos que chamam irmãos e vigários. Esquecem que a palavra bispo significa trabalho, vigilância, solicitude. Servem-se apenas de tais qualidades quando pretendem receber dinheiro, abrindo então os olhos.
Erasmo de Roterdão, O Elogio da Loucura. 1511
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sábado, 12 de janeiro de 2008
Valorização da cultura greco-romana
O mundo volta a si como se despertasse de um grande sono. Contudo, há ainda certas pessoas que resistem, agarrando-se de pés e mãos, à sua antiga ignorância. Temem que, se as letras antigas renascerem e o mundo se tornar culto, venha a demonstrar-se que nada sabiam. (...) Ignoram até que ponto os antigos foram sábios, que grandes qualidades possuíam Sócrates, Virgílio, Horácio e Plutarco. Ignoram que a história da Antiguidade é rica em exemplos de verdadeira sabedoria.
Erasmo de Roterdão, Cartas, 1527
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