Mostrar mensagens com a etiqueta Descobertas na Costa Africana. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Descobertas na Costa Africana. Mostrar todas as mensagens

quarta-feira, 17 de outubro de 2007

Viagem de descoberta do rio Zaire à Serra Parda (1485)

"Chegado Diogo Cão ao Congo foi recebido pelos da terra com muito prazer vendo os seus naturais que ele trouxera vivos e tão bem tratados os que levara, pedindo-lhes Diogo Cão em troca os portugueses que lá tinham ficado.El-Rei do Congo mandou a El-rei (D. João II) por seu embaixador Caçuta, homem muito importante que depois de ser cristão teve o nome de D. João Silva, e alguns moços, com um presente de muitos dentes de elefante e cousas de marfim lavradas e muitos panos de palma bem tecidos e com finas cores por em sua terra não haver outras coisas.E lhe pedia que lhe mandasse logo frades e clérigos e todas as coisas necessárias para ele e os seus receberem água do baptismo. E assim lhe mandasse pedreiros e carpinteiros para lhes fazerem igrejas [...] e também lhe mandasse lavradores para lhe domesticarem bois e lhe ensinarem a aproveitar a terra, e assim algumas mulheres para ensinarem as do seu reino a amassar o pão, porque ficaria muito contente que as coisas do seu reino se parecessem com as de Portugal. [...] E lhe pedia por mercê que certos moços pequenos do seu reino que lhe mandava os mandasse logo fazer cristãos e ensinar a ler e a escrever. [...] El-Rei D. João [...] estando em Beja, levou o embaixador Caçuta à pia baptismal para o fazer cristão e assim aos moços que com ele vieram, e a Rainha foi a madrinha, vestindo-se ela e El-Rei de festa.

"Garcia de Resende, "Crónica de D. João II"
Nesta segunda viagem Diogo Cão explorou a costa africana para sul do rio Zaire até à Serra Parda.

Viagem e descoberta do Rio Zaire

"[...] D. João II, desejando o descobrimento da India e Guiné que o Infante D. Henrique seu tio, primeiro começou, mandou a sua frota à dita costa, e por capitão-mor dela mandou Diogo Cão, cavaleiro de sua casa [...][...] O qual indo pela dita costa foi ter ao rio Congo que é um dos grandes que no mundo se sabe de água doce [...] Diogo Cão determinou mandar ao rei da terra um presente e mandou-lhe dizer que a armada era do rei de Portugal que com todo o mundo tinha paz e amizade [...] Chegaram ao rei do Congo e foram por ele recebidos com muita honra muito prazer e alegria e espanto e folgou tanto de os ver e perguntou-lhes pelas coisas de cá que os não podia despedir de si e deixá-los tornar à frota.E pela muita tardança sua pareceu ao capitão que deviam estar cativos ou mortos. E vendo que os negros de terra se fiavam dele e entravam já nos navios, determinou não esperar os que mandara, e partir-se com alguns daqueles negros, e assim fez. E se veio com eles para Portugal, não os trazendo como cativos mas com fundamento que, depois de aprenderem a língua e os costumes nossos, tornariam ao Congo ".

Garcia de Resende, "Crónica de D. João II"

domingo, 14 de outubro de 2007

Descoberta das Ilhas de Cabo Verde

"Neste mesmo tempo [...] se descobriram as ilhas a que hora chamamos de Cabo Verde, por um António de Nolle, genovês de nação e homem nobre, que [...] veio a este reino com duas naus e um barinel, em companhia do qual vinha um [...] seu irmão e um [...] seu sobrinho. Aos quais o infante deu licença que fossem descobrir e do dia que partiram da cidade de Lisboa a dezasseis dias foram ter à ilha de Maio; à qual puseram este nome porque a viram em tal dia. E [...] descobriram as outras [...] que por todas são dez, chamadas por comum nome ilhas de Cabo Verde por estarem ao poente dele por distância de cem léguas [...]."
João de Barros, "Décadas da Ásia"
As ilhas de Cabo Verde, descobertas por Luís Cadamosto, Diogo Gomes e António Noli, entre 1456 e 1460, foram divididas em capitanias. O povoamento, entregue aos capitães-donatários, foi feito predominantemen-te com escravos, provenientes da costa africana, e mouros cativos.
A exploração económica teve como base a cultura da cana-de-açúcar, do algodão, do milho e a criação de gado caprino.

Descoberta do Rio do Ouro e Pedra da Galé (1436)

"E navegando por sua viagem chegou a [...] uma foz como se fosse de rio.[...] E porque entre as coisas que Afonso Baldaia levava assim eram dois cavalos [...] fê-los logo pôr em terra e mandou aos moços que cavalgassem naqueles cavalos e fossem por terra quanto pudessem [...] Partiram com grande esforço, seguindo ao longo daquele rio por espaço de sete léguas, onde acharam 19 homens todos juntos [...] mas aquela gente não conhecida acolheu-se a uns rochedos onde estiveram pelejando com os moços por bom espaço [...] até que o Sol começou a mostrar os sinais da noite, por cuja razão se tomaram a seu navio."

Gomes Eanes de Zurara, "Crónica da Guiné"(Adaptado)

sábado, 13 de outubro de 2007

O Contrato de Arrendamento a Fernão Gomes

Em Novembro do ano de 1469, arrendou el-rei D. Afonso V o negócio da Guiné a Fernão Gomes, um rico cidadão de Lisboa, pelo tempo de cinco anos, por duzentos mil réis cada ano. Com a condição de que em cada um desses cinco anos fosse obrigado a descobrir pela costa adiante cemléguas. […] E foi Fernão Gomes tão diligente e ditoso nesse descobrimento que logo em Janeiro de 1471 descobriu o resgate(1) de ouro a que agora chamamos a Mina.
João de Barros, Ásia

(1) Lugar onde se fazia comércio; o próprio comércio.

A passagem do Cabo Bojador

Tinha o infante D.Henrique vontade de saber que terra ficava para além das Canárias e de um cabo que se chama Bojador, porque, até aquele tempo, não se sabia a qualidade da terra que ficava além do dito cabo. […] Mandou, assim, em direcção a essas partes os seus navios, para haver de tudo manifesta certidão.[…] Mas,embora lá enviasse muitas vezes homens que tinham experiência de grandes feitos, nunca nenhum ousou passar aquele cabo Bojador […].
Depois de doze anos [de tentativas], mandou o Infante armar uma barca da qual fez capitão Gil Eanes, seu escudeiro, o qual, seguindo a viagem dos outros e tocado daquele mesmo temor, não passou das ilhas Canárias. Mas, no ano seguinte [1434],o Infante fez armar outra vez a dita barca e, chamando Gil Eanes de parte, o encarregou muito que se esforçasse para passar aquele cabo. […] De facto, Gil Eanes, desprezando todo o perigo, dobrou naquela viagem o cabo Bojador e passou além, onde achou as coisas muito ao contrário do que ele e os outros até ali presumiam.

Gomes Eanes de Zurara, Crónica da Guiné

Início do Descobrimento da Costa Africana

Mandou o senhor infante D. Henrique um cavaleiro nobre, de nome Gonçalo Velho, para além das ilhas Canárias, ao longo da beira-mar. […] O qual chegou a um lugar onde havia apenas areia e não se acharam árvores nem ervas, à qual terra de areia […] se chama Mar Arenoso [deserto do Sara]. Esse Mar Arenoso os muçulmanos do Norte de África o atravessam em caravanas, levando às vezes até 700 camelos, até um lugar chamado Tombuctu, em demanda do oiro […] que aí se encontra em grande abundância. […] O que, ouvido pelo infante D. Henrique, o
moveu a procurar, por mar, aquelas terras para ter comércio com elas e sustentar os seus nobres.


Diogo Gomes, Relação do Descobrimento da Guiné