Mostrar mensagens com a etiqueta Império Português do Oriente. Mostrar todas as mensagens
Mostrar mensagens com a etiqueta Império Português do Oriente. Mostrar todas as mensagens

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Afonso de Albuquerque

Afonso de Albuquerque

Nasceu em Alhandra em 1462 e morreu em Goa em 1515. Segundo filho de Gonçalo de Albuquerque, senhor de Vila Verde dos Francos, e de D. Leonor de Meneses, filha de D. Álvaro Gonçalo de Ataíde.
Em 1503 foi enviado à Índia, combatendo o rei de Calecute e fundando uma feitoria em Cochim. Em 1506, D. Manuel I voltou a enviá-lo à Índia, com indicações secretas, para substituir D. Francisco de Almeida no cargo de vice-rei. Já como Governador, conquistou vários portos em Omã acabando por chegar à riquíssima cidade de Ormuz, que se tornou tributária de Portugal. Em 1510 toma Goa e em 1511 conquista Malaca, abrindo aos portugueses o acesso às especiarias das Molucas e ao comércio com a China. Tentou tomar Áden sem êxito. Com a construção da fortaleza de Ormuz em 1515 concluiu o seu plano de domínio dos pontos estratégicos que permitiam o controlo marítimo e o monopólio comercial da Índia.
Em 1514 na Índia dedicou-se à administração e diplomacia, nomeadamente através do estreitamento das relações entre portugueses e indianos: concluiu a paz com Calecute, recebeu embaixadas de reis indianos, consolidou e embelezou Goa, e desenvolveu uma política de casamentos de portugueses com mulheres indígenas procurando criar uma raça luso-indiana. Criou as bases do Império Português no Oriente.
Vítima de intrigas, acabou por ser demitido do cargo, falecendo, em Goa, em 1515.

D. Francisco de Almeida

D. Francisco de Almeida, 1.º vice-rei da Índia
Primeiro vice-rei da Índia (1505-1509). Nasceu em Lisboa em 1450, filho dos primeiros condes de Abrantes, D. Lopo de Almeida e de D. Beatriz da Silva. Experiente navegador, militar destemido e bom administrador, D. Francisco de Almeida começou por se distinguir na conquista do reino de Granada aos mouros, combatendo no exército espanhol dos Reis Católicos (Fernando e Isabel). Em março de1505 foi enviado à Índia por D. Manuel na qualidade de vice-rei, para se opor aos Turcos, que combatiam a instalação dos Portugueses no oceano Índico. Com D. Francisco de Almeida partiram 1.500 soldados levados em 16 naus e 6 caravelas.
Desenvolveu várias acções militares na costa oriental africana, tomou Quíloa e incendiou Mombaça; na Índia, construiu fortalezas em Cananor e Cochim e alcançou um importante vitória naval na Batalha de Diu sobre o sultão do Egipto em 1509. Enfrentou a armada do rei de Calecute, assegurando a presença portuguesa no Índico.
D. Francisco de Almeida foi substituído no cargo por Afonso de Albuquerque e no regresso a Portugal em 1510 foi morto, pelos indígenas, na zona do cabo da Boa Esperança.

domingo, 28 de outubro de 2007

Fortaleza de Ormuz

Fortaleza Portuguesa de Ormuz (gravura do séc.XVI)
Cidade estratégica situada à entrada do Golfo Pérsico, foi conquista por Afonso de Albuquerque em 1515, onde estabeleceu uma poderosa fortaleza (Forte Nossa Senhora da Vitória), a que se seguiram outras importantes construções. A conquista abria aos Portugueses os mercados da Pérsia e controlava uma das principais vias do comércio muçulmano.
Com a dominação espanhola de Portugal (1580-1640), Ormuz fica particularmente vulnerável, à semelhança do que aconteceu a outras possessões e fortalezas portuguesas no mundo.
No século XVII, os ingleses aliando-se aos persas (muçulmanos), conquistam Ormuz em 1622, após um longo cerco.

Ormuz

A 26 de Março lançaram ferro no porto de Ormuz (...) Era agora valido do rei de Ormuz Raez Hamede...
Afonso de Albuquerque mandou-lhe dizer (...) que "lhe entregasse a fortaleza que ali deixou começada e lhe enviasse os seus governadores com o contrato da entrega que pouco antes o rei Ceifadim lhe fez daquele reino por isso ser necessário ao que havia de combinar-se" (...). Veio o governador Raez Nordim com um sobrinho e, tendo concedido tudo, deu-lhes Afonso algumas peças de honra e preço, e por ele mandou ao rei um colar de ouro não menos valioso por obra do que por matéria. Levou também uma bandeira em que se viam as armas de Portugal para que, desfraldando-a, em lugar alto, constasse por ela a paz estabelecida entre uns e outros. Celebrou-se o acto com artilharia e trombetas de ambas as partes, em testemunho de alegria comum. No domingo de Ramos tomou Albuquerque posse da fortaleza começada, que em poucos dias cresceu muito, e, com alguns capitães, passou às casas que estavam perto (...). Assim ficou aquele rico e formoso reino inteiramente sob a mão portuguesa, antes aumentado que diminuído em relação aos seus próprios reis, pois muito mais lhe levavam as tiranias de seus ministros do que representava o novo tributo com que a reconheciam. Juntava-se a este benefício a segurança que de novo lhes ficava com as nossas armas e o temor delas em toda a Ásia, senão quanto à liberdade sujeita que todas as comodidades faz parecer pequenas.»

Manuel de Faria e Sousa, Epítome de las Historias Portuguesas (1628)

Conquista de Malaca (1511)

Malaca, porto estratégico no comércio do Extremo Oriente.
Conquistada por Afonso de Albuquerque, em 1511, aí convergiam
as rotas do cravo das Molucas, da noz moscada de Samatra, das
sedas e porcelanas da China.

sábado, 27 de outubro de 2007

Malaca

"Desejava el-rei D. Manuel com empenho, e disso encarregou Afonso com insistência, dominar a cidade de Adém e edificar ali uma fortaleza. Achava-se ele com Goa tomada, e em estado que já se acusava ele a si mesmo de estar faltando a outras empresas. Fingiu que tentava passar a esta, despachando alguns capitães para várias partes e a principal no mar Vermelho, onde está aquela cidade, sendo o seu intento aparecer em Malaca (...). Saiu de Cochim para Malaca a 2 de Maio com 19 baixéis (...), ganhou na viagem, em frente de Ceilão, cinco naus de mouros que passavam a Malaca (...) três juncos mais adiante correram a mesma sorte. Pela gente de um deles teve notícia das coisas de Malaca, em cujo porto surgiu a nossa armada no primeiro de Julho, ao som de instrumentos e de artilharia (...) e finalmente, com grandes perdas do inimigo, toma inteira posse da cidade, apenas com a coragem de 800 portugueses e de 200 malabares. Pelo espaço de nove dias acabaram de ser mortos naquela praça e expulso dela os mouros. Sucederam-lhe os estrangeiros a povoá-la e também alguns naturais malaios, por Albuquerque lhes haver concedido licença."

Manuel de Faria e Sousa, Epítome de las Historias Portuguesas (1628)

Goa

Goa, nos finais do século XVI.
Goa, a capital do estado da Índia, era um grande centro comercial e lugar de encontro de várias raças.

Conquista de Goa (1510)

"Temos (...) o grande Afonso de Albuquerque fundeado na barra de Goa, e é mister que vejamos o que fez (...). Investia Albuquerque a entrada no outro dia, quando chegou a Miralé com pessoas gradas da cidade, oferecendo-lhe da parte de seus principais uma boa paz a troco de assegurar as vidas, o sossego, a liberdade e os haveres (...). Aceitou Afonso de Albuquerque o oferecimento, e, aparecendo em frente da cidade a 17 de Fevereiro, foi recebido na praia como se fosse seu natural príncipe. Montando um cavalo, que lhe ofereceram, ajaezado a seu modo, chegou às portas, onde lhe entregaram as chaves, com que foi caminhando até às sumptuosas casas que haviam sido do Sabaio".

Manuel de Faria e Sousa, Epítome de las Historias Portuguesas (1628)

1510: conquista de Goa. A cidade veio a ser a capital do Império Português do Oriente.

A conquista de praças estratégicas da Índia

"Se a Nosso Senhor aprouver que o negócio da Índia se disponha em tal maneira que o bem e riquezas que nela há vão cada ano em vossas frotas, não creio que na cristandade haverá rei tão rico como Vossa Alteza. Portanto, digo, Senhor, que aguenteis o feito da Índia, mui fortemente com gente e armas, e que vos façais forte nela e segureis vossos tratos e vossas feitorias, e que arranqueis as riquezas da Índia e trato das mãos dos mouros, e tirar-vos-ei de grandes despesas, e segurareis vosso Estado na Índia, e havereis todo o bem e riquezas que nele há e seja com tempo."

Carta de Afonso de Albuquerque ao Rei D. Manuel I (1510)

Em 1509 Afonso de Albuquerque é nomeado 2.º vice-rei da Índia.

O domínio dos mares da Índia

"Toda a nossa força seja no mar. Desistamos de nos apropriar da terra. As tradições antigas de conquista, o império sobre reinos tão distantes não convém [...] Com as nossas esquadras teremos seguro o mar e protegidos os indígenas, em cujo nome reinaremos de facto sobre a Índia. Se o que queremos são os produtos dela, o nosso império marítimo assegurará o monopólio português contra o turco e o veneziano. Impunhamos pesados tributos, exageremos os preços das licenças para as naus dos mouros navegarem nos mares da Índia e isso os expulsará [...] não é mal decerto, que tenhamos algumas fortalezas ao longo das costas, mas somente para proteger as feitorias.[...]"

Carta de D. Francisco de Almeida a D. Manuel (1508)
Em 1505 foi nomeado o primeiro Vice-Rei da Índia, D. Francisco de Almeida. Partiu para a Índia com uma armada de 15 naus e 6 caravelas com 1500 homens de armas.

Portugueses e Muçulmanos no oceano Índico

"Entendendo os mouros que a nossa entrada naquelas partes tinha por fim chamarmos a nós o comércio das especiarias, que antes lhes pertencia e os fazia tão poderosos, decidiram impedir que entrássemos e nos fixássemos em qualquer parte da Índia. Uniram-se, por isso, para nossa destruição e tudo fizeram para que os reis daquelas partes nos não deixassem entrar nos seus portos, nem fizessem connosco nenhum tipo de comércio, de paz ou de amizade (...).
Vendo pois el-rei D. Manuel esse ódio grande dos Mouros contra nós (...), ordenou que, além das naus que haviam de regressar com a carga das especiarias, fosse também uma forte armada de navios e gente de armas. Mandou também um Governador para que ficasse na Índia e aí residisse para proteger os nossos amigos aliados e as feitorias que aí tínhamos e impedir o comércio dos ditos Mouros nossos inimigos."

Livro das Cidades e Fortalezas da Índia. Manuscrito de 1582